Caju é remoso? Mitos e Benefícios
Quando alguém faz uma cirurgia ou está com um machucado, logo aparece um conselho antigo: “não come caju porque é remoso”. Essa expressão “comida remosa” faz parte da cultura popular no Brasil e gera muitas dúvidas. Mas será que o caju é remoso mesmo ou isso não passa de mito?

Além dessa questão, o caju é uma fruta cheia de propriedades incríveis, consumida tanto in natura quanto em sucos, doces, castanhas e até na culinária regional. Hoje vamos explorar os mitos que envolvem essa fruta, explicar de onde vem a fama de ser remosa e destacar os seus principais benefícios para a saúde.
Prepare-se porque no final você vai entender que o caju é muito mais do que parece.
O que significa “remoso”?
Antes de falar do caju, precisamos entender o termo. No Brasil, principalmente no Nordeste, chama-se de “remoso” um alimento que supostamente atrapalha a cicatrização de feridas, piora inflamações ou deixa o corpo mais “pesado”.
A ideia é que certos alimentos, por serem muito “fortes” ou com gordura, acabam dificultando a recuperação de quem fez cirurgia ou tem algum corte. Na lista dos mais lembrados como remosos, além do caju, estão camarão, carne de porco, manga e outros.
Mas o fato é que não existe comprovação científica de que o caju seja remoso. Essa crença vem da tradição popular, passada de geração em geração, e até hoje influencia muita gente na hora de escolher o que comer.
O caju é remoso ou não?
Aqui entra a polêmica. Para alguns médicos e nutricionistas, não há evidência de que o caju atrapalhe a cicatrização. Pelo contrário, por ser rico em vitamina C, ele pode até ajudar na recuperação dos tecidos.
O que pode acontecer é que, em algumas pessoas, o caju pode causar irritações na boca, aftas ou até alergias leves, por conta da alta acidez e dos taninos presentes. Isso talvez tenha dado origem à fama de fruta “remosa”, já que pode causar desconforto.
Outro ponto é que a castanha de caju, quando mal processada, possui uma resina natural que pode irritar a pele ou causar alergias. Mas isso não tem a ver com a polpa da fruta em si.
Então, respondendo de forma direta: não existe comprovação de que o caju seja remoso, mas, em casos específicos de sensibilidade, ele pode causar algum incômodo.
Mitos populares sobre o caju
Ao longo dos anos, o caju ganhou várias crenças populares. Algumas fazem sentido, outras não passam de mito. Vamos ver as principais.
“Caju atrapalha a cicatrização”
Esse é o mito mais famoso. Como vimos, não há base científica. Pelo contrário, a vitamina C do caju auxilia na produção de colágeno, essencial para cicatrização.
“Caju dá afta”
Esse mito tem um fundo de verdade. Como a fruta é ácida, pode sim provocar aftas ou irritações na mucosa bucal em pessoas mais sensíveis.
“Caju dá febre”
Não há nada que comprove isso. A fruta pode até causar mal-estar se consumida em excesso, mas não gera febre.
“A casca da castanha queima a pele”
Esse é verdadeiro. A casca da castanha de caju contém uma substância chamada líquido da casca, que é corrosiva e pode queimar a pele se não for processada corretamente.
Os benefícios do caju
Agora vamos para a parte boa: os benefícios que essa fruta maravilhosa pode trazer para a saúde. São muitos, e eles variam desde a polpa até a castanha.
Rico em vitamina C
O caju tem até 5 vezes mais vitamina C que a laranja. Isso fortalece o sistema imunológico, ajuda na absorção do ferro e combate radicais livres.
Bom para a pele
A alta concentração de vitamina C também ajuda na formação de colágeno, que mantém a pele firme e saudável.
Fortalece o sistema imunológico
Além da vitamina C, o caju possui antioxidantes e outros nutrientes que deixam o corpo mais protegido contra doenças.
Aliado do coração
A castanha de caju contém gorduras boas, como os ácidos graxos insaturados, que ajudam a reduzir o colesterol ruim (LDL) e proteger o coração.
Energia e disposição
As castanhas também são ricas em magnésio e proteínas, ótimas para quem precisa de mais energia no dia a dia.
Auxilia na digestão
A polpa do caju possui fibras, que facilitam o funcionamento do intestino e ajudam a prevenir constipação.
Bom para os ossos
O magnésio presente nas castanhas contribui para a saúde óssea, assim como o cálcio que também está presente.
Como consumir o caju
O caju é extremamente versátil e pode ser consumido de diversas formas:
- In natura: direto da fruta, bem lavado.
- Suco: refrescante e nutritivo, muito popular no Nordeste.
- Doce: em compotas, geleias e sobremesas.
- Castanha: torrada, usada em receitas ou como lanche saudável.
- Culinária regional: pratos como moquecas, paçocas de caju e até farofas.
Vale lembrar que o suco de caju natural pode ser bem ácido, mas isso não diminui os benefícios.
Precauções no consumo
Mesmo sendo saudável, o caju merece alguns cuidados:
- Quem tem sensibilidade gástrica pode sentir azia ou refluxo após consumir a fruta.
- O consumo exagerado da castanha pode levar ao ganho de peso, já que é calórica.
- Pessoas com alergia à fruta devem evitar o consumo.
- A casca da castanha nunca deve ser manipulada sem preparo adequado, pois pode queimar a pele.
Caju e a cicatrização: afinal, pode ou não?
A grande dúvida de quem passa por cirurgia é se deve evitar o caju. O consenso é que, para a maioria das pessoas, o caju não atrapalha em nada a cicatrização. Ao contrário, pode até ajudar.
O ideal é sempre ouvir o médico responsável, já que cada organismo reage de um jeito. Se a recomendação for evitar alimentos ácidos por um tempo, aí sim faz sentido deixar o caju de lado. Fora isso, não há motivo para cortar a fruta da dieta.
O papel cultural do mito
Mesmo sem comprovação, a ideia de que o caju é remoso faz parte da tradição popular brasileira. No interior, é comum mães e avós passarem esse tipo de conselho.
Esse aspecto cultural mostra como os hábitos alimentares não são guiados apenas pela ciência, mas também pelas crenças e costumes que moldam nossa forma de se relacionar com a comida.
Conclusão
O caju é uma fruta riquíssima, com inúmeros benefícios para a saúde. Apesar do mito de que seja remoso, não existe evidência científica que comprove isso. Pelo contrário, seu alto teor de vitamina C pode auxiliar na cicatrização e fortalecer o sistema imunológico.
Claro que, como todo alimento, deve ser consumido com moderação e respeitando os limites individuais. Pessoas sensíveis à acidez podem ter aftas ou desconfortos, mas isso não significa que a fruta seja prejudicial para todos.
Então, se alguém perguntar se o caju é remoso, a resposta é: não. Ele é nutritivo, cheio de vantagens para a saúde e ainda uma delícia típica do Brasil.
