Charque é remoso? Verdade sobre a Carne Seca
Muita gente já ouviu falar que alguns alimentos são considerados “remosos” e, por isso, deveriam ser evitados em certas situações, como após cirurgias, ferimentos ou no período de cicatrização. Entre as carnes mais questionadas está o charque, também conhecido como carne seca. Mas será que isso é mesmo verdade? Será que a carne seca é remosa ou é apenas mais um mito popular?

Neste guia vamos aprofundar esse tema, explicando o que significa ser “remoso”, quais características da carne seca podem gerar essa dúvida e se realmente existe algum risco no consumo.
O que significa alimento remoso
A palavra remoso é muito usada na cultura popular para se referir a alimentos que supostamente atrapalham a cicatrização, aumentam inflamações ou até pioram alergias. Não é um termo científico, mas sim uma tradição que passou de geração em geração.
De forma geral, as pessoas incluem nessa categoria alimentos como carne de porco, frutos do mar, ovos, alguns peixes, comidas muito gordurosas e embutidos. A crença é que eles podem “remexer o sangue” e dificultar a recuperação de quem passou por algum procedimento cirúrgico ou está com feridas abertas.
A carne seca (charque) e sua composição
O charque é uma carne bovina salgada e desidratada, criada para aumentar a durabilidade do alimento. Esse processo de salga concentra o sabor e garante que a carne fique preservada por muito mais tempo, mesmo sem refrigeração.
Na prática, o charque é rico em:
- Proteínas de alta qualidade.
- Sódio, por conta do sal usado no processo de conservação.
- Quantidades variáveis de gordura, dependendo do corte utilizado.
Essa alta concentração de sal e, em alguns casos, de gordura, é o que faz com que muitas pessoas associem a carne seca a um alimento remoso.
Charque é remoso mesmo?
Do ponto de vista científico, não existe uma confirmação de que a carne seca seja remosa. O que acontece é que, por conter muito sal e gordura, ela pode causar alguns desconfortos em pessoas sensíveis, como:
- Inchaço devido à retenção de líquidos.
- Aumento da pressão arterial, principalmente em quem já tem hipertensão.
- Sensação de peso no estômago, se consumida em excesso.
Esses efeitos podem ter reforçado a crença de que o charque atrapalha a recuperação do corpo. Mas não há provas médicas de que o charque, por si só, atrapalhe a cicatrização.
O que os médicos realmente recomendam é evitar alimentos muito salgados, gordurosos e ultraprocessados no período pós-cirúrgico, justamente para não sobrecarregar o organismo e permitir uma recuperação mais tranquila. Nesse caso, a carne seca acaba entrando na lista de alimentos que devem ser consumidos com moderação.
Quando evitar o consumo de carne seca
Embora não exista comprovação científica de que o charque seja remoso, há situações em que o consumo deve ser reduzido ou até evitado:
- Pessoas com pressão alta, já que o excesso de sódio pode agravar o quadro.
- Quem tem problemas nos rins, pois o sal em excesso pode prejudicar ainda mais a função renal.
- Durante o período de cicatrização, em especial após cirurgias, onde o ideal é manter uma dieta balanceada e com baixo teor de sódio.
- Pessoas com tendência a retenção de líquidos.
Nesses casos, a moderação é fundamental.
Benefícios do charque se consumido corretamente
Apesar de toda a polêmica, o charque também tem seus pontos positivos:
- É fonte de proteínas que ajudam na formação muscular.
- Tem um sabor marcante que valoriza receitas tradicionais como a feijoada, a carne de sol com mandioca e o escondidinho.
- Sua durabilidade é muito maior que da carne fresca, sendo uma opção prática para armazenamento.
Ou seja, quando usado em quantidades equilibradas, pode fazer parte de uma dieta variada.
Como consumir o charque de forma saudável
Para reduzir os riscos do excesso de sal e aproveitar o sabor da carne seca, é importante seguir alguns cuidados:
- Dessalgar bem: deixar de molho na água, trocando o líquido algumas vezes antes de cozinhar.
- Combinar com alimentos leves: mandioca, batata-doce, arroz e legumes ajudam a equilibrar a refeição.
- Evitar frituras: prefira assar, cozinhar ou preparar em ensopados.
- Controle a frequência: consuma o charque de forma eventual, não diariamente.
Seguindo essas dicas, fica mais fácil aproveitar o sabor da carne seca sem prejudicar a saúde.
O mito do remoso na cultura popular
A ideia de que certos alimentos são remosos está muito ligada às tradições culturais. Antigamente, sem acesso a tantas informações médicas, as pessoas associavam determinados sintomas ou complicações na recuperação de feridas ao que era consumido na dieta.
Assim, carnes salgadas e fortes, como o charque, acabaram entrando nessa lista. Mas hoje já se sabe que o mais importante é manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, proteínas magras e bastante água, principalmente durante processos de recuperação.
O charque não é cientificamente considerado um alimento remoso, mas, por ser muito salgado e em alguns casos gorduroso, pode sim trazer desconfortos e até prejudicar a saúde de quem tem condições específicas como hipertensão ou problemas renais. Por isso, a recomendação é consumir com moderação e sempre dessalgar bem antes de preparar.
O segredo está no equilíbrio: aproveitar o sabor tradicional da carne seca sem exageros, mantendo sempre uma dieta variada e saudável.
